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sábado, 20 de setembro de 2014

A maravilhosa mulher maravilha!

A pioneira !
Sempre fui um amante das histórias em quadrinhos, assim como muitos aqui na blogosfera! Arrisco dizer até que os quadrinhos e os zines foram os precursores do movimento blog! Será? Bem, o que importa é que nutria a vontade de fazer uma postagem sobre a marvilhosa mulher maravilha que segue abaixo.

A super heroína foi criada por William Moulton Marston e sua esposa Elizabeth Holloway Marston no início dos anos 40 para a "DC Comics", época em que somente personagens masculinos dominavam as páginas dos gibis, tais como: Batman, Super Homem, Aquaman, etc. A ideia, a princípio, seria criar um herói essencialmente bom e amoroso, mas de forte personalidade e completamente diferente dos demais! Foi então que Elizabeth propôs que esse personagem fosse uma mulher!

Eu poderia falar muito sobre a história da mulher maravilha e os detalhes de sua criação, mas não é o caso. O que quero debater aqui é o pioneirismo dessa heroína numa época em que a sociedade era completamente masculinizada e os conteúdos neste segmento extremamente machistas!

Charlie Moulton (pseudônimo utilizado por William Marston) passou a escrever as histórias tendo em mente que a nova heroína promoveria uma revolução psicológica principalmente na mente em formação dos jovens da época, visto que os quadrinhos possuíam e ainda possuem um caráter didático muito atrativo e poderoso! Essa revolução psicológica se somaria ao crescente movimento feminista, ajudando na divulgação da causa e ao mesmo tempo abocanhando um novo mercado consumidor!

Segundo o próprio Moulton, "(...) a Mulher-Maravilha é a propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que deve governar o mundo".

A super-heroína, que tem seus poderes comparados aos deuses gregos (força de Hércules, velocidade de Hermes, sabedoria de Atena) representa um paradigma neste segmento, visto que até então a grande maioria das personagens mulheres reforçavam apenas o velho estereótipo da cuidadora, boa mãe, boa esposa, etc. Sem dúvida, ela é de fato um ícone da revolução feminina em busca de independência e espaço na nova sociedade em construção!

Diana (nome utilizado pela Mulher Maravilha para manter sua identidade secreta) cria uma imagem de que a mulher pode trilhar seu caminho de sucesso sem depender de qualquer homem para servir de contraponto. Coisa que até os quadrinhos, que geralmente propõe inúmeras ideias inovadoras como a própria "Wonderful Woman", demoraram a desenvolver ou insistir em sair do erro,  exemplo: Batman e Batgirl, Homem Aranha e Mulher Aranha, Super Homem e Super Girl, Homem Pássaro e Mulher Pássaro... 

A Mulher Maravilha era única, não dependia de ninguém e o desenvolvimento de sua personagem nos desenhos e séries, principalmente nos anos 80, fizeram os escritores, produtores e editoras acordarem de vez para essa nova realidade e demanda, impulsionando a criação de novas super-heroínas com esse caráter de independência!

Abertura brasileira da Série "Mulher Maravilha"


Abertura original da série
 
 
Obs: No Brasil, a Mulher Maravilha só ganhou esse nome com a chegada da série e do desenho para a televisão. Antes ela era chamada por aqui de "Super Mulher" e  "Miss América", o que rendeu alguma confusão...

Obs2: Em 1969, tendo os quadrinhos como referência, a super-heroína perdeu seus super poderes em nome do amor! Mas em 1972 teve seus poderes devolvidos não por conta da criatividade do autor, mas por conta das pressões do mercado.