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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lampião, herói ou vilão?

Procura-se vivo ou morto!
Ainda lembro como se fosse hoje quando o avô de um grande amigo meu sentava na calçada da rua e contava para um monte de meninos, inclusive eu, as façanhas do destemido e temido Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião. A criançada ficava de ouvidos ligados e olhos arregalados atentas a cada palavra e gesto daquele senhor! Ai de quem interrompesse aquela verdadeira aula de História Viva!

Hoje, após muito estudo, ainda é difícil saber se as histórias que ele contava eram ou não autênticas, visto que estavam recheadas do folclore popular passado de geração em geração, a famosa História falada. Mas certas características do que ele contava, algumas que ainda lembro, coincidem com aquelas relatadas pela historiografia tradicional, ou seja, um prato cheio até para o famoso Sherlock Holmes!

Nascido em Pernambuco entre 1897-1900 (isso porque tal data ainda é bem questionada), Virgulino desde cedo se ocupava com as atividades de uma pequena propriedade rural de seus pais em Vila Bela, atualmente município de Serra Talhada, tais como: manuseio do gado, condução das tropas de burros, artesanato local baseado na manipulação do couro, etc. O fato curioso é que mesmo vivendo a realidade do sertão, ele tinha uma característica rara para a época e local, ou seja, era alfabetizado e por isso não dispensava o uso do óculos para boas leituras.

Após uma contenda com os proprietários de uma fazenda vizinha, Virgulino juntamente com seus irmãos, primos e conhecidos formaram uma espécie de quadrilha (o bando) que atacavam outras fazendas e pequenas propriedades, roubando-lhes o gado, armamentos, alimentos e qualquer tipo de produção que estivesse sendo desenvolvida ali. Para isso usavam uma vestimenta em couro, com o famoso chapéu do cangaço, montados ou mesmo a pé e fortemente armados! E assim, entre 1918-1938 aterrorizaram o nordeste, em especial os latifundiários.

Bando de Virgulino Ferreira (o Lampião). Justiceiros do sertão?

Mas o objetivo com a postagem de hoje não é contar a história de Lampião (e Maria Bonita) em si, até porque quem tiver interesse basta pesquisar um pouquinho na internet que achará farto material (sites, livros, filmes), o que pretendo de fato é aventar um breve questionamento: Lampião, herói ou vilão?

Zapeando em alguns sites "especializados", compreendi que existe hoje um movimento tortuoso que pretende levantar a bandeira de Lampião como herói, posto que ao roubar os fazendeiros e comerciantes, acabava doando parte do montante arrecadado com os mais pobres, uma espécie de Robin Hood brasileiro. Engraçado que algumas regiões, talvez numa política de valorização exacerbada da própria história, força uma barra para tornar heróis hoje aqueles que tinham outros objetivos no passado, como a Revolução Farroupilha, a Revolução Constitucionalista de 32, etc. E assim vejo Lampião!

Seu bando sequestrava crianças, estuprava mulheres, exterminava rebanhos, torturava seus prisioneiros com requintes de crueldade (em especial os policiais chamados por eles de macacos), etc. Ou seja, estavam bem longe do altruísmo que definem os heróis! Portanto, corram dessas novas versões que pretendem distorcer a história!

Em 1938 o bando de Lampião foi pego de surpresa numa fazenda em Sergipe. 48 policiais alagoanos, comandados por José Bezerra e forte armamento (incluindo três metralhadoras Hotkiss), cercaram o grupo e colocaram um ponto final nos planos do "Rei do Cangaço", matando ele, Maria Bonita e outros nove cangaceiros!

O cangaço, como ficou conhecido o movimento de bandos que agiam como os de Lampião, não durou muito tempo, pois em 1940 o último sobrevivente do grupo de Virgulino, conhecido como Corisco (o diabo loiro), foi morto também.

Mas foi interessante relembrar um grupo de pequenos meninos no subúrbio do Rio de Janeiro, completamente atentos a história de um senhor que tinha muita história pra contar! Uma história sobre o rico e querido nordeste, que exala cultura em cada um dos seus Estados!

E você, concorda ou discorda? Herói ou vilão? Conhece algum fato interessante sobre Lampião e seu bando? Fique a vontade para comentar!


 

16 comentários:

  1. Sabe amigo? Achei seu post sensacional! Não sei julgar se ele foi herói ou vilão, só sei que tinha e tenho profunda admiração por Lampião.
    Boa semana.

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    1. De fato a história dele é bastante rica e interessante! Um assunto polêmico e que divide opiniões!

      Abraço.

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  2. Oi meu amigo!
    Rapaz, o Lampião era primo segundo de minha avó, e ela disse que de onde ela morava ela ouviu os tiros da emboscada que lhe fizeram.
    Ele era bandido e fora da lei. Assim como padre Cícero não foi nenhum santo.
    Mas é um mito de nossa história, e mitos são mitos né?

    Um abração!

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    1. Com certeza meu caro! E pelo que sei o barulho da "emboscada" foi bastante grande porque usaram de farta munição para deter o bando de Lampião! Foram pegos quando estavam acordando para o dia...

      E de fato é um mito que entrou para a nossa história!

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  3. Também não consigo julgar, mas sei que ele deu o que falar e faze por merecer a fama,rs abraços,chica

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    1. É Chica, a fama dele é inegável mesmo!

      Abraço.

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  4. Olá,Boa noite,Flávio
    nós, uma parte, temos o "poder" de criar heróis sem nenhum constrangimento e isso quando nos convém e creio que com o poder sufocante do coronelismo, Lampião se tornou a referência contra esses. Agora, para mim, sob qualquer ângulo, herói é aquele que teve (tem) uma vida digna de ser seguida e ensinada e apresentada como modelo inspirador para futuras (atuais)gerações...o que não foi o caso de Lampião...
    Obrigado pelo carinho,belo domingo,abraços!

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    1. Olá Felis,
      De fato o coronelismo acabou fazendo por eclodir alguns desses movimentos, talvez até de alguma forma para outras pessoas isso possa legitimar um pouco das ações cruéis do bando de Lampião.

      Tens toda razão meu amigo!

      Abraço.

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  5. Tb acho que Lampião estava longe de ser santo...rss...era um bandido, mas virou um herói para o povo da região que via nele uma força contra os poderosos da época! Excelente seu texto e assuntos bem interessantes por aqui. bjs e boa semaninha,

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    1. Olá Anne,
      Que bom que gostou dos assuntos abordados aqui!

      Abraços.

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  6. Ótimo texto, e minha opinião é que ele foi sim um bandidão, como moro aqui em Pernambuco, terra onde ele nasceu, então as histórias são muito mais frequentes, e já fiz um texto sobre isso lá em meu blog há um bom tempo atrás, algumas histórias sobre ele eram do tipo: em uma festa que ele promoveu dentro da caatinga, ele obrigou a alguns músicos a tocarem em cima de cavalos ininterruptamente até ao amanhecer, e outra história seria que, um desafeto dele, ele obrigou a o sujeito se abraçar com um cactus grande, rs, o cara era sangue ruim, e acho que era bandido mesmo Flavio.

    Abração pra ti.

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    1. Olá Cheng,
      Essa história eu não conhecia, eu sei bem de outras que foram contadas pelo avô do meu amigo que citei no texto, kkkkkkkkkk...... Conto em outra oportunidade!

      Abraço.

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  7. Gosto muito de ler tudo que se refere ao passado histórico e Lampião e Maria Bonita é um pedaço do nordeste que vale a pena entender e ler sempre mais , até porque sempre nos surpreendemos com as verdades e mentiras a respeito. rs
    Penso que de herói estamos muito mal arranjados, até nos nossos dias.
    Esse é um exemplo a não seguir e nem exaltar.
    Muito bom o texto Fábio.
    deixo abraços

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    1. Olá Lis,
      Acho que não devemos criar ilusões com heróis, mas de qualquer forma estamos mesmo muito mal arranjados, kkkkkkkkkkkk...

      Abraço.

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  8. Bom do Lampião só conheço o que passou na TV. Pelo que li por muito que ele desse aos pobres do produto de assalto, um homem que sequestra crianças, estupra mulheres e trata com crueldade os seus prisioneiros, (ou permite que os homens que chefia o façam), não pode nunca ser um herói. Por cá tivemos no séc. XIX o Zé do Telhado, também chamado de Robin dos Bosques português. Ele também doava parte do que roubava para dar aos pobres. Mas segundo rezam as crónicas, da época ele tratava sempre com o máximo respeito os donos das fazendas que assaltava. Foi julgado condenado ao degredo em Angola, onde veio a falecer de varíola.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Olá Elvira,
      Depois vou pesquisar sobre o Zé do Telhado, não o conheço e seria um tema interessante para uma futura postagem! Se precisar posso lhe perguntar?

      Obrigado.

      Abraço,

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